quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Dálio Magro
Uma Grande Bebedeira do Maçarico


O Capitão Maçarico (Jorge Maçarico) , engenheiro civil na Câmara de Aveiro, depois de ser chamado para o curso de capitães milicianos, foi mobilizado em rendição individual para Moçambique.

Como ia em rendição individual ficou com a ideia que iria para uma cidade e até levou o seu automóvel «Peugeot 304» . Contudo, o Maçarico deve ter sido tramado por aqlguém e foi parar a Marrupa para substituir o capitão Rosas Leitão que terminava a sua comissão de serviço.

Portanto, a partir de Julho/Agosto de 1970, o Maçarico passou a ser o comandante da Companhia de Engenharia nº.2686.

Como já relatei anteriormente, durante a época das chuvas a Companhia de Engenharia permanecia todo o tempo no seu aquartelamento em Marrupa.

Em Marrupa o pessoal passava o tempo a jogar futebol, a jogar a lerpa, na caça e a emborcar cerveja e whisky que eram as únicas bebidas que existiam para além da «fanta» e da coca-cola.

Na maioria das vezes jogávamos as cartas e emborcávamos na nossa messe, onde havia electricidade toda a noite ao contrário do aquartelamento ao lado (C.C.S.) onde a electricidade era desligada às 21h30 /22h00.

De vez em quando o pessoal também ia até à vila, onde existia um bar, cujo nome suponho que era o “ás de paus”.

Um certo dia o Maçarico veio ter comigo , dando-me a seguinte ordem:

- Ó Magro anda comigo até à vila que hoje quero apanhar uma grande bebedeira!

De seguida passa-me a sua carteira para mãos, dizendo-me:

- Pega lá para pagares todas as despesas.

Chamou o condutor de serviço para nos levar até à vila e pediu-lhe para nos ir buscar por volta da 01h30.

Depois de termos conversado longamente sobre diversos assuntos e emborcado algumas cervejas, o Maçarico “virou-se” para o whisky e só parou quando já não se aguentava em pé.

Finalmente lá chegou o condutor que nos levou para o nosso aquartelamento e aí começou o trabalho de tentar deitar o Maçarico , cuja tarefa se mostrava quase impossível.

Comecei a tirar-lhe os sapatos, mas de imediato o Maçarico reage e com uma voz rouca informa-me que: “primeiro são as calças e só depois é que são os sapatos!”

A muito custo lá consegui levar a cabo esta ingrata tarefa e quando terminei a mesma já o Maçarico dormia como um passarinho.

No dia seguinte, para espanto meu, a primeira coisa que o Maçarico me disse foi:

-Ó Magro tenho que ir à vila procurar a minha carteira!

-Ó Maçarico a tua carteira está comigo, não te lembras que ma entregaste?

-Não me lembro.

Achei muito estranho, uma vez que quando me entregou a carteira estava perfeitamente sóbrio.

Então perguntei-lhe:

- não te lembras de que me disseste que querias apanhar uma grande bebedeira?

-Sim é verdade. E achas que apanhei mesmo?

- Claro e das grandes!

-Era o que eu queria e ainda bem.

Com o relato deste episódio fica aqui a minha sincera homenagem ao saudoso amigo Maçarico e quando nos tivermos de encontrar seja lá onde for, terás de me esclarecer o motivo pelo qual desejaste apanhar aquela grande bebedeira.






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