sábado, 19 de dezembro de 2015

Dálio Magro
Louvor à Companhia de Engenharia nº 2686


A vida da CENG 2686 não se limitou a uns joguitos de futebol, uma bebedeira ou outra e ao jogo da “lerpa”. Houve também muito trabalho efectuado em condições extremamente adversas, tanto pelo isolamento e clima, como pela forte presença do IN. Apesar disso, alguns trabalhos foram executados em tempo recorde, tendo a Companhia sido alvo de público louvor do Comandante da R.M.M. – Região Militar de Moçambique, que a seguir se transcreve:

Pág. 1406
Continuação da O.S. nº 141 do R.E.1 de 16/6/1972
III – JUSTIÇA E DISCIPLINA
Artº 4º: - Louvor Transcrição: Da Nota nº 023719-Pº.H.156.72 do Q.G./1ª Rep. de 27/5/1972, se transcreve:
“Encarrega-me o Exmº Brigadeiro Comandante Interino da Região Militar de Moçambique, de remeter a V.Exª. para efeitos de publicação e averbamento, a adjunta O.S. nº 40 da R.M.M. de 20/5/72, q2ue insere no seu artigo 2º. O louvor concedido à C.E. 2686.
Mais solicito se digne promover que seja acusada a recepção da mencionada O.S.”.

Transcrição do artigo acima referido:
Que, por seu despacho de 9/5/72, louvou a Companhia de Engenharia nº. 2686/R.E.1 pela capacidade e qualidades técnicas e humanas de que deu repetidas e permanentes provas no decurso da sua missão de serviço na R.M.M., totalmente cumprida em sectores de actividade inimiga e em zonas de grande isolamento, nomeadamente Candulo, Chiulezi, Lusannhando e Nangade.
Numa compreensão plena das suas missões e num querer unânime pouco depois da sua chegada à R.M.M., arrancou para trabalhos em locais afastados mais de 300 quilómetros da sua base de apoio e construiu num tempo notável (três meses) cento e trinta e cinco quilómetros de estrada para todo o tempo, setenta dos quais com respectivas obras de arte correntes.
Numa segunda época de trabalhos de estrada, apesar de não haver sido rendida, da não substituição das suas baixas, por esgotamento físico, acidentes de acção directa do inimigo,; da dispersão dos seus destacamentos; das condições em que teve de viver em sucessivos meses de trabalho, nunca deu indícios de hesitação ou de afrouxamento, como nunca se furtou ao cumprimento exacto e cabal das missões que lhe foram atribuídas, ainda encontrando tempo e vontade para apoiar as unidades que a protegiam quer na melhoria das suas condições de vida, quer na acção psicológica que desenvolviam junto das populações. A actividade técnica, que se desenvolveu também na época das chuvas, traduz-se pela abertura, construção, reconstrução de quase três centenas de quilómetros de estrada para todo o tempo, incluindo algumas obras de arte com certo vulto, construção de pistas para aviões ligeiros e médios, conclusão da construção dum quartel de companhia e o estabelecimento inicial da infra-estrutura da vila de Nangade.
Assim, pelo seu estoicismo e inquebrantável espírito de cumprimento do dever; pela decisão e coragem serena de que os seus elementos deram repetidas provas; pela capacidade técnica e espírito de iniciativa; pela forma como soube superar todas as dificuldades, sacrifícios e perdas; pelo exemplar espírito de corpo; a C.Engª. 2686 honrou por forma notável a Arma a que pertence e conquistou o direito a público louvor como testemunho dos serviços prestados à R.M.M. e à Província de Moçambique.

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In memoriam:

Militares da C. Engª 2686 mortos na guerra, em Moçambique:

BENTO VALENTE PICA
Soldado
Vila Nova de São Bento - Serpa
04-07-1970

ANTÓNIO MARIA RODRIGUES
Soldado
Variz - Penas Roias - Mogadouro
22-09-1970

JOSÉ JOAQUIM MORGADO CORREIA
Soldado
Alcaria Ruiva - Mértola
17-07-1970

DIAMANTINO DE SOUSA
1º Cabo
Cem Soldos – Madalena – Tomar
24-08-1971







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