quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Dálio Magro
Um ataque de Abelhas


A Companhia de Engenharia nº. 2686 tinha uma frente de trabalhos localizada no Chiulézi , os quais eu estava a dirigir e que constavam da construção de uma picada localizada próximo da zona que indico no mapa à esquerda.

Para a realização da referida picada era necessário derrubar várias árvores, algumas das quais de grande porte.

Para verificar/analisar o terreno era costume ir uns metros à frente, de modo a procurar as melhores soluções para se evitar grandes trabalhos de movimentação de terras e, quando possível, evitar que a picada tivesse curvas que eram sempre propícias a emboscadas.

Após este trabalho de «reconhecimento do terreno», dirigi-me para junto do operador do «caterpillar» (máquina de lagartas) dando-lhe indicações sobre a direcção que deveria seguir e quais as árvores que teriam de ser abatidas.

Decorridos alguns minutos e após o derrube de uma grande árvore fui atacado por um enorme enxame de abelhas que começaram a pousar nas minhas faces, orelhas, testa e a entrar pela gola da camisa. No primeiro instante fiquei estático com a arma entre os braços mas, decorrido alguns minutos, atirei-me para o chão e com os dois braços tapei a gola da camisa de modo a que não entrassem mais abelhas para as minhas costas e peito.

Quando o sistema nervoso atingiu os limites, comecei a vociferar:

- Fo*** , não há nenhum c*** que pegue num bocado de capim e faça um archote para afugentar as abelhas?!

O meu pedido de socorro foi bem sucedido pois que, passado pouco tempo, houve um corajoso que se abeirou de mim e, agarrando-me pelas pernas, me levou de rastos até a um riacho que existia mais abaixo.

De seguida fui transportado numa viatura para o acampamento do Chiulézi, onde me foram prestados os primeiros socorros pelo 1º. Cabo enfermeiro «Tiano».

Atendendo a que após alguns minutos comecei a ter vómitos, o capitão Rosas Leitão (comandante da companhia naquela altura) decidiu pedir a minha evacuação para o hospital.

No hospital, os médicos informaram-me que tinha tido alguma sorte pois a quantidade de veneno que tinha no corpo era muito significativa e que não seria o primeiro caso em que ferradelas de abelhas tinham provocado a morte.

Como relatei atrás, quando me atirei para o chão a arma ficou debaixo do meu corpo e como fui arrastado pelas pernas, a G3 lá ficou.

Ainda no acampamento do Chiulézi informei o capitão Rosas Leitão sobre o problema da falta da arma que me poderia trazer consequências graves.

O capitão Rosas Leitão foi de imediato com um grupo de soldados ao local para bater toda a zona e tentar encontrar a G3.

Apesar de, durante três ou quatro dias, não se ter feito qualquer outra coisa que não fosse procurar a arma no local onde ocorreu o ataque das abelhas, a G3 não apareceu e já se admitia que a mesma tivesse sido surripiada, pelo que seria necessário preparar um auto para esclarecimento da situação.

Ao quinto dia, quando se reiniciavam os trabalhos, a G3 lá estava e junto à mesma foram encontrados alguns panfletos da acção “psico” (ver abaixo).

Portanto tudo leva a crer que as famigeradas abelhas se teriam arrependido e entregaram a arma.

Panfletos
(a fraca qualidade das imagens deve-se à idade dos panfletos – à volta de 45 anos)

Cique nas imagens para as ampliar







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