domingo, 20 de janeiro de 2013

Rogério Magro
Apresentação


Rogério Alberto Valente Magro foi, dos seis irmãos que prestaram serviço nas ex-Provincias Ultramarinas o que, certamente, teve o percurso militar mais duro, com maiores privações e que enfrentou maiores perigos.

Tendo nascido a 09/03/1944 no Sabugal, iniciou em 1965 o serviço militar obrigatório no RI 5, Caldas da Rainha, a fim de frequentar o 1º ciclo do CSM (Curso de Sargentos Milicianos) após o que frequentou o 2º ciclo no CISMI (Curso de Sargentos Milicianos de Infantaria) no Quartel da Atalaia, em Tavira a fim de lhe ser dada a formação de Atirador de Infantaria.

Recorda-se que, naquela época, a viagem de Tavira ao Porto em autocarro, demoraria, seguramente, mais de 12 horas o que somadas a outras 12 para o regresso, ficava um dia completo gasto em viagens fazendo com que muitos dos militares do Norte, a receber a instrução em Tavira, raras vezes viessem passar o fim de semana a casa.

Mobilizado para Angola em 1967, participou em várias operações na Zona Militar Leste, tendo-se salientado na reacção a uma emboscada do IN, facto que mereceu do Comandante da ZML o louvor que a seguir se transcreve:

Transcrição do Louvor registado na Caderneta Militar do ex-Fur. Milº Rogério Alberto Valente Magro

Louvado por sua Exª. o Comandante da ZML(*), por proposta do Sr.Comandante do B.Caç. 1920, pelas qualidades militares evidenciadas durante cerca de dois anos de actividade operacional sendo de salientar uma emboscada do IN a uma coluna das nossas NT de que fazia parte, em que tendo ficado ferido o Comandante da coluna, comandou a reacção fazendo uma perseguição de alguns quilómetros ao grupo IN tendo da perseguição resultado a captura de um elemento IN e armamento. Além desta acção mostrou um espírito aguerrido, sangue frio, moral elevado e serenidade debaixo de fogo.

(*) - Zona Militar Leste

Comentário:

Nestas alturas não dá para pensar muito. Com o tiroteio e com feridos, há que manter a máxima lucidez. Oportunamente relatarei em pormenor todas as peripécias daquela emboscada.

O comandante da coluna era eu. Efectivamente, comigo na coluna iam mais 2 furriéis, mas eu era o mais antigo. Como um dos furriéis era mulato e angolano e para fazer um certo aproveitamento militar do feito, o capitão quis melhorar a coisa, pois ele entendia que o feito merecia uma medalha e por duas vezes me pediu para refazer o texto do relatório da emboscada que tinha sido redigido por mim.
O Sousa, que era um dos furriéis que ia na coluna, ao saltar do Unimog partiu um pé.
Consta que o Sousa, após a independência de Angola, era capitão do MPLA.
Parece que houve quem o visse fardado de capitão.

(Rogério Magro)







1 comentário:

  1. Também passei pelo Lucusse e por Lumbala, mas em 1972, integrado no BART. 3881- CART. 3540.
    Um abraço,
    Rui Bacelar (ex-furriel)

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